Além do “É assim mesmo”: importância de olharmos para o desconforto do outro!
O objetivo deste post é provocar a comunidade de pesquisadores da área da saúde a refletir sobre um tema curioso e pouco explorado nos cursos de graduação e pós-graduação.
Quando iniciamos um projeto de pesquisa, geralmente buscamos temas que estão no centro das discussões científicas, com maior atratividade e potencial de publicação em revistas de alto impacto. No entanto, nem sempre o aluno e o orientador se fazem uma pergunta fundamental: Onde está o sofrimento das pessoas dentro da minha área de atuação? O que podemos fazer para compreendê-lo e, a partir disso, oferecer resultados concretos para esse público?
Na minha prática clínica, por exemplo, tenho observado alguns casos de candidíase pseudomembranosa no ventre lingual de pacientes grávidas. Ao investigar a literatura, me surpreendi com a escassez de informações sobre essa manifestação clínica específica nesse grupo. É como se, na gestação, muitos desconfortos fossem tratados com um simples: “É assim mesmo. Vai passar!”. Como se, por serem passageiros, não merecessem tanta atenção. Mas mesmo que temporárias, essas condições trazem ansiedade, angústia e sofrimento para quem as vivencia. Precisamos ir além da compreensão dos efeitos das alterações hormonais sobre a resposta imune. É essencial formar profissionais capazes de diagnosticar corretamente e pesquisadores comprometidos em buscar soluções.
Ao refletir sobre isso, percebi várias outras situações semelhantes dentro da Estomatologia. Quais são os avanços reais para o tratamento da xerostomia? E da ageusia? Imagine perder o paladar e ser convidado para um jantar com amigos, acompanhado de um Malbec cuidadosamente escolhido. Essa é a realidade de muitas pessoas. Embora alguns paliativos, como a bioestimulação, ofereçam algum alívio, ainda estamos longe de proporcionar uma melhora significativa na qualidade de vida desses pacientes.
Este texto não pretende trazer respostas prontas. Seu propósito é despertar no leitor a consciência de que há temas que deveriam receber mais atenção em nossas universidades. Para concluir, deixo um convite à reflexão: O que podemos fazer para que o sofrimento das pessoas não seja apenas “assim mesmo”?
Prof. Ricardo Santiago Gomez
